Você não pode ver o seu laudo de ressonância magnética

June 1, 2020

 

Pode ser prejudicial visualizar seu relatório de ressonância magnética? Claramente a resposta é sim. Talvez não para todas as pessoas... mas, com certeza, para a maioria. 

 

Vi muitas pessoas reduzirem significativamente suas atividades por causa de algo que viram em um relatório de ressonância magnética. O relatório da ressonância magnética pode estar colocando escrito algo "normal para a idade", mas você não esquecer uma palavra "rompido" ou "degenerado" certo?

 

"Você não pode deixar de ver seu relatório de ressonância magnética".

 

Maurício (Nome Fictício), 36 anos, era um homem muito ativo. Ele treinava futebol e era um corredor de 10 km. Eu e ele erámos amigos desde novos. 

 

Quase ninguém com mais de 35 anos terá um relatório de ressonância magnética "normal" do ombro, joelho, coluna vertebral ou quadril. Muitas das alterações observadas em uma ressonância magnética são consideradas alterações “apropriadas à idade” em algumas das estruturas dessas articulações. A maioria dessas alterações pode ser ignorada e não afetará suas atividades.  


Abaixo, alguns achados de ressonância magnética de pessoas ativas sem dor nas articulações. 

- 87% das pessoas sem dor nas costas têm abaulamentos de disco
- 72% tinham uma lesão labral (SLAP) no ombro
- Quase 50% apresentaram problemas de menisco no joelho. 
- 69% tinham uma ruptura/lesão no quadril. 

 

Imagine esse cenário. Seu jeolho tem uma lesão de mesnisco. Você simplesmente não sabe disso. Mais de 50% dos adultos terão uma lesão no menisco na ressonância magnética - mesmo que não tenham DOR. Então, você tem uma lesão de menisco... você está jogando bola ou correndo, é ativo com seus filhos e se exercita regularmente na academia. Dois anos depois, você acorda com uma dor no joelho. Você realiza uma ressonância magnética, e eles acham essa lesão de menisco. Essa lesão, que existe há anos ou décadas, é a causa de sua dor? Provavelmente não. Mas sua mente assumirá que é. Isso afetará sua tomada de decisão sobre ir à academia? Jogar bola? Sim. Na maioria das vezes sim.


Às vezes, uma ressonância magnética pode prejudicar o curso da lesão. Muito mais do que ajuda.

 

O joelho de Maurício o incomodava há uma semana ou mais. Nós discutimos isso durante uma de nossas corridas. Dada a falta de edemas ou histórico de machucado, sugeri esperar um pouco. Mas, como muitos de nós, ele não achava que a dor era normal em nossa idade. Embora sua dor fosse “leve” e não afetasse suas atividades ou o sono, o pensamento de que algo poderia estar errado o incomodava. "A dor não pode ser normal ... pode"?  

 

Somos uma sociedade super-diagnosticada: Muitas ressonâncias magnéticas são realizadas a cada ano. Milhões de exames de ressonância magnética são realizados no Brasil. O disso para o sistema de saúde é astronômico. 

 

Quantos de vocês insistiram em ter uma ressonância magnética e, quando retornam ao médico a sua dpr já está bem melhor? Apesar de se sentir melhor, você precisa ver o que "causou sua dor".

 

Muitos médicos provavelmente acharão mais fácil pedir a ressonância magnética de uma articulação que dói, em vez de dedicar algum tempo no exame físico ou por que ela não é necessária. Tempo é dinheiro. Outra questão, dizer não a um paciente que insiste firmemente em uma ressonância magnética pode afetar negativamente a sua popularidade.  


Mauricio decidiu consultar um médico especialista em joelho.  Quando estava no consultório de seu médico, ele insistiu em fazer uma ressonância magnética. A ressonância magnética de Mauricio mostrou uma pequena ruptura no menisco e alguma inflamação. Isso geralmente é o que uma ressonância magnética de um joelho ativo mostra. Mauricio pegou seu relatório de ressonância magnética e antes de retornar ao médico, foi direto ao Google e leu tudo o que pôde sobre as lesões de menisco e inflamação no jeolho.

Talvez, se o google mostrasse esse raciocínio:

A lesão foi aguda?
Foi crônica?

Já houve uma lesão anterior?

Ter uma rigidez anteriror?

houve sobrecarga?

Posções extremas?
Alguma atrofia muscular associada?

 

Nem todos os radiologistas sabem disso... portanto, pode não ser abordado no seu relatório de ressonância magnética. 


No sábado seguinte, Mauricio e eu deveríamos jogar bola juntos. Ele não queria ir. Ele tinha medo de lesionar ainda mais o menisco. Seus sintomas já haviam passado. Ele tinha medo de machucar mais o joelho. Isso pode parecer intuitivo. Eu tentei convencê-lo a jogar, mas eu não era o fisioterapeuta dele.

   

Mauricio viu um cirurgião ortopédico, mesmo sem examiná-lo,e foi informado de que precisava de cirurgia. Como meu amigo soube que essas lesões não precisam de cirurgia? Era o que o médico deveria lhe dizer. Mas estamos experimentando uma evolução de alta tecnologia e baixo toque no setor de saúde. A arte do exame físico está sendo perdida. A arte de ouvir as pessoas e educá-las também.

 

Mauricio fez sua cirurgia. Não foi bem. Sua dor persistiu e ele também desenvolveu um joelho duro, atrofiado e travado. Após seis meses de exercícios de alongamento e fisioterapia, sua amplitude de movimento voltou ao normal, mas ele ainda sentia dores. Agora ele não estava dormindo bem. Ele não corria há 8 meses, já estava 25 kg mais pesado. Ele não era o mesmo cara que eu conhecia há um ano. 

 

A dor de Mauricio acabou por diminuir, mas o estrago estava feito. Este é um caso extremo? Possivelmente. Esse é um problema raro? Não.    

 

Desculpe se estou sendo sincero. Não realize procedimentos cirurgicos sem antes tentar uma segunda opinião NÃO CIRÚRGICA.

 

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